sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Independência do Brasil: instabilidade, insegurança e dependência financeira.

As coisas pioraram por conta de uma ordem vinda de Lisboa para que se realizasse eleições de deputados às Cortes, causando, assim, o que é de costume em nosso país, ou seja, muita agitação política. Algumas províncias até mandaram deputados a Portugal. Mas logo a burguesia portuguesa mostrou seus reais e perversos planos para o Brasil: um projeto constitucional que levaria a uma “recolonização”.

Enquanto isso a maçonaria e a imprensa no Rio de Janeiro já trataram de conquistar o apoio de D. Pedro à nobre causa de independência do Brasil. A maçonaria chegou ao ponto de dar-lhe o título de “Defensor Perpétuo do Brasil” o que, certamente, envaideceu o nosso ilustríssimo Príncipe. Ainda foi feito um abaixo-assinado rogando (suplicando mesmo) sua permanência aqui nessas terras do além-atlântico. Tal documento fez com que ele oficializasse seu desejo de ficar (este episódio é conhecido como o “Dia do Fico” - 09 de janeiro de 1822).

Finalmente, há exatamente 185 anos, neste mesmo dia (07 de setembro), talvez um pouco mais à tarde ou mais cedo não sei, depois de algumas ameaças e conselhos, às margens do rio Ipiranga, para o bem de todos e felicidade geral da nação, D. Pedro proclamou: “Independência ou Morte!”.

Então, é isso que você, eu e todo mundo ao menos precisa saber. Mas é importante frisar que a independência em relação a Portugal não significou uma revolução brasileira. As estruturas sociais e econômicas continuaram a serem as mesmas dos tempos de colônia (latifúndios, escravidão e agro-exportação).

A primeira fase de nossa vida política como independente foi instável e insegura. Os interesses do nosso ex-Príncipe e agora, depois da proclamação, Imperador (que, aliás, era português de nascimento e herdeiro da Coroa portuguesa) entraram em choque com os interesses da elite brasileira. O povão sequer conseguia entender que diabos significava essa tal de independência. Não mudou nada para estes últimos.

Felizmente fomos liberados das amarras que nos prendiam a Portugal para passar espontaneamente à dependência do capital inglês. Diz-se que Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas! E como os processos que culminaram na independência foram extremamente rápidos e fulminantes, D. Pedro não tinha um tostão no bolso, daí não deu outra, acabou pegando dinheiro emprestado da Inglaterra.

Não sei se tem origem histórica aí o costume brasileiro de deixar para fazer tudo na última hora, essa incrível versatilidade e esperteza de dar um jeito em tudo com o pouco que se tem (“quem não tem cão caça com gato”), ou seja, o famoso “jeitinho brasileiro”, só sei que esse hábito ou maneira de viver atravessou os séculos e está mais vivo do que nunca...

Um comentário:

Anônimo disse...

A relação do churrasquinho de cpu com o jeitinho brasileiro ficou claro, pra não dizer divertidíssimo. Mas não enendi a relação de D. Pedro. o empréstimo com a Inglaterra e o jeitinho brasileiro. :(