Antes que alguém pense que este artigo trata-se de um manifesto em favor à causa vegetariana, ao direito dos animais ou a algo parecido, esclareço aos leitores mais desavisados que não é essa a proposta deste pobre escritor que vos fala. Contudo, hei de tratar sobre um outro assunto que também envolve questões sociais, se é que podemos assim definir, a fim de gerar e instigar em vocês, meus leitores, a mesma ou semelhante meditação (ou ponderação), que tive ao conversar com Frango. Meu intuito é de ao menos tentar mostrar de forma sucinta um esboço do pensamento que o Frango tem concernente à reflexão sobre a vida em seus diversos aspectos, principalmente o social.
Vocês ainda devem estar se perguntando o que é ou quem é o Frango. Correto? Acalme-se caro leitor, logo você saberá. E se não está interessado em saber, por que então está lendo isso? Pare por aqui mesmo.
Pois bem, muito se discute sobre o nosso papel na sociedade, ou melhor, os motivos pelos quais nós nos relacionamos uns com os outros, às vezes só com uns e não com os outros, nossas funções neste complexo arranjo social etc., etc.. E discutir isso, ou seja, expor, com bom senso, nossas observações às outras pessoas é de grande importância para que possamos inclusive entender e aprender sobre nós mesmos. Alguém já dizia: “Confessando-me a outro, confesso-me a mim mesmo”.
Em entrevista exclusiva concebida hoje à tarde, 17 de abril, Renato Santos, 18, estudante universitário, mais conhecido como Silvio Santos, embora por vezes também apelidado de Frango (que se deu curiosamente por causa de suposto curso de culinária feito já há algum tempo por nosso entrevistado), nos conta, de maneira bastante sincera e franca, suas observações depois de indagado por mim.
Quando questionado sobre seu círculo de amizades, Frango menciona um dos motivos que lhe fizeram “afastar” dos amigos de sua cidade e optar pela vida de dedicação exclusiva aos estudos. Segundo ele, a dispersão de seus colegas da 8ª série e ainda com seu estudo em Goiânia foi o agravante: “Eu acabei me afastando dos meus amigos aqui porque quando chegou o fim da 8ª série, todo mundo separou! Uns foram estudar em Anápolis, outros em Gyn, alguns ficaram por aqui mesmo! Como quem estuda fora não tem tempo pra fazer mais nada, acabei me distanciando um pouco deles! Eu só queria saber de estudar!”, comenta.
Com a falta de boas escolas e colégios, muitos estudantes preferem procurar outros centros, como é o caso de Goiânia e Anápolis, cidades circunvizinhas a Nerópolis, para se obter um ensino de melhor qualidade. Contudo, aqueles que não têm dinheiro para pagar a mensalidade de colégios particulares ou não se interessam em buscar melhores condições de aprendizagem acabam estudando em Nerópolis mesmo. É interessante lembrar que há muitos estudantes indo todos os dias às cidades vizinhas. O transporte na maioria das vezes é custeado pela própria prefeitura. Sendo esse um outro motivo para a “migração”. Pois sem dúvida é mais fácil investir em transporte do que investir em escolas públicas de boa qualidade à população local.
Enfim, uma outra questão abordada em nossa entrevista foi em relação ao longo período que ele passava em casa, longe dos amigos e privado de lazer. Quando perguntado a que se devia tal fato ele responde: “Deve-se ao fato de que desde quando eu comecei a estudar em Gyn (em 2003) eu só tinha tempo para estudar! Me acostumei com isso e eu sempre tinha uma meta para alcançar: estudar muito para que quando eu passar no vestibular eu poder sair e curtir mais a vida! Eu vivia (e vivo) pra estudar, ficar bem informado, me atualizar! Creio que é por isso que eu não gosto muito de sair!”, acrescenta.
Até que ponto, caros leitores, o trabalho e/ou o estudo interferirá na nossa vida nos tornando menos felizes, nos privando de companhias agradáveis, de nossos amigos, de pessoas que gostamos muito, deixando, assim, dessa maneira, de sermos mais humanos...?
Allex Bandeira
Abril de 2007
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